Heresias relativas a Deus e Jesus – Ortodoxia Cristã

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O trinitarianismo e a cristologia ortodoxa têm de ser cuidadosamente diferenciados das heresias. Estas, em sua maioria, foram condenadas pelos concílios da igreja cristã: triteísmo, modalismo (sabelianismo), arianismo, docetismo, nestorianismo, monofisismo (eutiquianismo), patripassianismo, monotelismo, apolinarismo, subordinação, monarquianismo, adocionismo e binitarismo.

  • Triteísmo:

    O triteísmo é a crença em que há três deuses ou três seres separados na divindade. Poucos ou ninguém defendeu este ponto de vista, embora muitos sem perceber caem nela verbalmente pela linguagem descuidada sobre a divindade. Ao ressaltar corretamente que as três pessoas são distintas, é fácil não perceber estar enunciando o triteísmo, que postula erroneamente haver três seres separados. 

  • Modalismo:

    O modalismo também é chamado sabelianismo segundo o nome do seu fundador, Sabélio (c. 217-c. 220). O modalismo advoga que Deus é só uma pessoa que aparece de modos ou papéis diferentes, em tempos diferentes, na economia divina, da qual obtém o título “Trindade Econômica”, em oposição à Trindade Ontológica da teologia ortodoxa.

  • Arianismo:

    Ario (c. 250-336), fundador desta heresia, negou que Jesus seja completamente Deus, dando-lhe um estado criado abaixo de Deus. O arianismo foi combatido por Atanásio e condenado como crença herética no Concilio de Nicéia (325 d.C.).

  • Docetismo:

    Derivada da palavra grega dokeo, “eu pareço”, o docetismo afirma a deidade de Jesus, mas lhe nega a humanidade, afirmando que era só um a humanidade aparente e não real. Elementos deste erro já tinham surgido nos dias do Novo Testamento (1 Jo 4.1-3; 2 João 7; Cl 2.8,9). Em certas formas, sustenta que Jesus escapou da infâmia da morte por crucificação, quando Judas Iscariotes ou Simão cirineu trocaram de lugar com Ele na cruz. Os muçulmanos aceitam uma forma deste erro (ver Sura 4.187). Entre os proponentes deste erro estavam Cerinto (c. 100 d.C.) e Serapião, bispo de Antioquia (190-203).

  • Nestorianismo:

    É duvidoso que Nestório (m . c. 451 d.C.) tenha defendido a visão que leva seu nome, embora alguns dos seus seguidores recebam esse crédito. Esta perspectiva postulava não apenas duas naturezas em Jesus (que é ortodoxo), mas também duas pessoas (que não é). Supostamente, se há uma pessoa humana e uma pessoa divina em Jesus, então foi só a pessoa humana que morreu na cruz; por conseguinte, o seu sacrifício pelos nossos pecados não teria eficácia divina. A verdade é que só se uma e a mesma pessoa, que era Deus e homem , morrer pelos nossos pecados pode ser verdadeiramente o mediador entre Deus e o homem (1 T m 2.5). É contra o nestorianismo que os credos falam quando insistem em um a união hipostática das duas naturezas em uma pessoa. Enquanto que “hipóstase” significa, literalmente, “substância”, tem também o significado de “realidade individual”, e do século IV em diante veio a significar “pessoa”.

  • Monofisismo:

    O monofisismo também é chamado de eutiquianismo, segundo o nome de Eutíquio (c. 375-454), o seu suposto fundador. O monofisismo confunde as duas naturezas de Jesus, de forma que as naturezas divina e humana se misturam . Além de ser uma heresia, é uma contradição, visto que defende que há uma mistura de infinito finito e um criado incriado das duas naturezas de Jesus.

  • Patripassianismo:

    Patripassianismo quer dizer, literalmente, o “Pai sofreu”. Surgiu no princípio do século III na forma de monarquismo, e sustentava que Deus Pai sofreu na cruz como também Jesus. Logo, a natureza divina possuída por Jesus não sofreu ou morreu: Deus é impassível e, por conseguinte, incapaz de ter sofrimento. Só o Filho se encarnou em uma natureza humana. Portanto, só o Filho, não o Pai ou o Espírito, sofreu na cruz.

  • Monotelismo:

    Derivado de duas palavras gregas que significam “um ” e “querer”, esta visão não ortodoxa do século VII sustentava que Jesus tem apenas uma vontade, não uma vontade humana e uma vontade divina. Isto é contrário às palavras que nosso Senhor disse no jardim do Getsêmani: “Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26.39). Além disso, ao insistir que Jesus tem só uma vontade, o monotelismo acaba confundindo as duas naturezas de Jesus, pelas quais Ele (uma pessoa) operou. Esta doutrina foi condenada como heresia pelo Concilio de Latrão, em 649, e pelo Concilio de Constantinopla, em 680.

  • Apolinarismo:

    De acordo com o seu líder, Apolinário (c. 310-c. 390), esta seita diminuiu a humanidade de Jesus. Quer dizer, ainda que afirmassem a plena deidade, eles negavam a plena humanidade, defendendo que Jesus não tinha espírito humano (só um corpo e uma alma). Eles sustentavam que o Logos divino substituiu o espírito humano em Jesus. O apolinarismo foi condenado pelos Sínodos em Roma (374-380) e pelo Concilio de Constantinopla (381).

  • Subordinação:

    Esta heresia foi defendida por Justino Mártir (c. 100-c. 165) e Orígenes (c. 185-c. 254) e condenada pelo Concilio de Constantinopla (381). Afirma que o Filho é subordinado em natureza ao Pai. Não confundamos subordinação com a crença ortodoxa de que o Filho (Cristo) é funcionalmente subordinado (ou seja, sujeito) ao Pai, embora seja essencialmente igual com Ele.

  • Monarquismo:

    Esta heresia não-trinitária dos séculos II e III acentuava a unidade (monarquia) de Deus à rejeição da deidade de Jesus. Supostamente, Jesus era só um poder ou influência de Deus. Havia dois grupos principais de monarquistas: os modalistas (ver acima) e adocionistas (ver abaixo). Os modalistas foram representados por Noécio, Praxeas e Sabélio. Os principais adocionistas foram Teódoto e Artemom e, talvez, Paulo de Samosata.

  • Adocionismo:

    O adocionismo (ou adocianismo) se fundamentou no monarquismo do século II e III, mas se desenvolveu no século VIII. De acordo com esta visão, Jesus era apenas um homem , mas por causa dos seus poderes divinos Ele foi adotado por Deus. Dizem que isso ocorreu quando Deus declarou dos céus: “Este é o meu Filho amado” (Mt 3.17).

  • Binitarismo:

    De acordo com o binitarismo, só há duas pessoas na divindade. Ainda que poucos ou nenhum dos primeiros Pais postulasse o binitarismo explicitamente, alguns, implicitamente, caíram nesse erro, sem perceber, ao negarem a deidade do Filho. Nos dias de hoje, alguns proponentes desta visão negam a personalidade do Espírito Santo, desta forma deixando só duas Pessoas na divindade. A Igreja de Jesus Cristo Reorganizada (grupo-irmã dos mórmons) e a antiga Igreja Mundial de Deus, orientada por Herbert W. Armstrong, adotaram este ponto de vista.

    Fonte: GEISLER, Norman. Teologia Sistemática vol I.

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