A Unidade e a Trindade de Deus

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Deus é um, e só um. Este é o grande brado do judaísmo chamado Shema. Baseia-se em Deuteronômio 6.4 — “o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” — e foi repetido por Jesus no Novo Testamento. Quando os escribas judeus perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento, Ele respondeu: “O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Mc 12.29).

• A DEFINIÇÃO DA UNIDADE DE DEUS:

“Unidade” significa literalmente “estado” ou “qualidade de um ”. Deus é um Ser, em comparação aos muitos seres. Há um e só um Deus (monoteísmo) ao invés de muitos deuses (politeísmo).

Há três palavras relacionadas que devem ser distinguidas:

(1) Unidade: Não há dois ou mais deuses.
(2) Simplicidade: Não há duas ou mais partes em Deus.
(3) Trindade: Há três pessoas no único Deus.

• A BASE BÍBLICA PARA A UNIDADE DE DEUS:

Desde o princípio até ao fim, as Escrituras afirmam a unidade absoluta de Deus. “No princípio, criou Deus [não deuses] os céus e a terra” (Gn 1.1). “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (D t 6.4). “Não terás outros deuses diante de mim ” (Êx 20.3). “Eu sou o primeiro e eu sou o último, e fora de mim não há Deus” (Is 44.6). “Eu sou o Senhor, e não há outro” (Is 45.18). “O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (M c 12.29). “[…] sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há outro Deus, senão um só” (1 Co 8.4). “[Há] um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef 4.6). “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem ” (1 T m 2.5).

O texto está bastante claro: Há um e só um Deus, ao invés de mais de um. A unidade da divindade é um dos ensinos mais fundamentais da Bíblia. Negar esta verdade é uma violação do primeiro mandamento.

• A BASE TEOLÓGICA PARA A UNIDADE DE DEUS:

Além do ensino enfático da Bíblia, há muitos fortes argumentos teológicos a favor da unidade de Deus. Que há um e só um Deus pode ser derivado de outros atributos, com o a pura realidade, a infinidade, a perfeição absoluta, e também pode ser derivado da natureza do universo.

1. A Pura Realidade Insinua a Unidade:

Deus é Pura Realidade sem potencialidade seja de que tipo for, e não pode haver duas ou mais Puras Realidades, pois a potencialidade é o princípio da diferenciação. Uma coisa não pode diferir da outra (no ser) a menos que seja um tipo diferente de ser, e dois seres de pura realidade não são tipos diferentes de ser. Portanto, só pode haver um Ser que é a Pura Realidade. O Puro Ato como tal não difere do Puro Ato com o tal; o Ser com o tal não pode diferir do Ser como tal. Muitas coisas podem ter o ser, mas só um a coisa pode ser o ser.

2. A Infinidade Insinua a Unidade:

A Bíblia afirma que Deus é infinito no seu Ser, e não pode haver dois ou mais seres infinitos. Se houvesse, então haveria mais que um infinito, o que é impossível. Não pode haver dois Todos ou Supremos. Por conseguinte, só pode haver um Deus infinito. Mais precisamente, ser dois tem de haver diferença, e dois seres simples do mesmo tipo não podem diferir no seu ser.

3. A Perfeição Absoluta Insinua a Unidade:

As Sagradas Escrituras afirmam que Deus é absolutamente perfeito. Não pode haver dois seres que sejam absolutamente perfeitos, pois para serem dois eles têm de diferir. Caso contrário, eles seriam o mesmo. Para diferir, um teria de possuir um pouco de perfeição que o outro não tivesse. Todavia aquele que não tivesse um pouco de perfeição não seria absolutamente perfeito. Portanto, só pode haver um Ser que é absolutamente perfeito.

• O UNIVERSO IMPLICA QUE HÁ SÓ UM DEUS:

O cosmo foi criado por Deus, e o cosmo é um universo e não um multiverso. Tem unidade, ordem e desígnio em toda parte. O princípio antrópico (ver Barlow, ACP) afirma que desde o começo o universo inteiro foi bem afinado para o aparecimento da vida. A unidade do universo insinua a existência de um a Mente por trás. Portanto, não há senão um Deus.

• Implicações da Unidade de Deus:

Pelo menos três implicações emergem da unidade de Deus: ela se opõe ao politeísmo, triteísmo e idolatria.

1. Unidade versus Politeísmo:

Se havia mais de um Deus, então o politeísmo seria verdade. Porém, como mostrado acima, há somente um Deus. O politeísmo é falso. A unidade de Deus, então, exclui todas as formas de politeísmo.

2. Unidade versus Triteísmo:

A unidade de Deus é oposta à heresia chamada triteísmo, que alega que há três seres separados na divindade. O monoteísmo afirma que há só um Ser que é Deus, não três seres. Por conseguinte, a unidade de Deus é contra o erro do triteísmo.

3. Unidade versus Idolatria:

Se um e único Ser no universo é Deus, então só este Ser é digno de adoração. Nada mais que o Ultimo é digno de um compromisso último (que é a adoração). Só há um Deus, como mostrado acima. Portanto, só este Deus deve ser adorado e não qualquer outra coisa.

• A BASE HISTÓRICA PARA A UNIDADE DE DEUS:

A base histórica para a unidade de Deus entra nas próprias origens do cristianismo do Novo Testamento e retorna ao judaísmo do qual surgiu o cristianismo.

Os Primeiros Pais da Igreja Falaram sobre a Unidade de Deus:

A unidade absoluta de Deus nunca foi desafiada por qualquer Pai ortodoxo da Igreja. Mesmo entre os primeiros Pais, há um coro unânime de louvor ao único Deus e à sua unidade.

– Justino Mártir (c. 100-c. 165):

“O mais verdadeiro Deus é o Pai da justiça. […] Nós o cultuamos e adoramos, o Filho (que veio dEle e nos ensinou estas coisas, junto com o exército dos outros anjos bons que o seguem e são feitos como Ele), e o Espírito profético” (em Bercot, DECB, p. 652)

– Irineu (c. 125-c. 202):

“Declaramos o único Deus Pai, acima de todos, através de todos e em todos. O Pai realmente está acima de todos, e Ele é a Cabeça de Cristo. Mas o Verbo é através de todas as coisas e Ele mesmo é a Cabeça da Igreja. Enquanto o Espírito está em todos nós, e Ele é a água viva” (AH, 5.18.2, em Roberts and Donaldson, ANF, I)

– Clemente de Alexandria (c. 150-c. 215):

“O Pai universal é um. A Palavra universal é um. E o Espírito Santo é um” (1 ,1.6, em ibid., II).

– Tertuliano (c. 155-c. 225):

“Eu testifico que o Pai, o Filho e o Espírito são inseparáveis uns dos outros. […] A minha afirmação é que o Pai é um, o Filho é um e o Espírito é um — e que Eles são todos distintos uns dos outros” (AP, 2.7.9, em ibid., III)

– Hipólito (c. 170-c. 235):

“Todavia se ele deseja saber como é mostrado que ainda há um Deus, que ele saiba que o seu poder é um . Portanto, até onde diz respeito ao poder, Deus é um ” (AHON, 8, em ibid., V).

– Orígenes (c. 185-c. 254):

“Todas as coisas que existem foram feitas por Deus e não havia nada que não foi feito — exceto para a natureza [singular] do Pai, do Filho e do Espírito Santo. […] Pois só o Pai conhece o Filho. E só o Filho conhece o Pai. E só o Espírito Santo sonda até mesmo as coisas profundas de Deus” (DP, 4.1.35, em ibid., IV)

– Agostinho (354-430):

“Esta Trindade é um Deus. E, embora seja uma Trindade, é simples. Pois, não dizemos que a natureza deste bem é simples, porque só o Pai compartilha dela, ou só o Filho, ou só o Espírito Santo. Eles [os anjos] conhecem esta Palavra e o Pai e o Espírito Santo, entendendo que esta Trindade é indivisível e que cada uma das Pessoas é substancial, embora não haja três Deuses, mas somente um” (CG, 11.10,11.29)

Repetindo: “Não se suponha que nesta Trindade haja separação em relação a tempo ou lugar, mas que estes três são iguais, co-eternos e absolutamente de um a natureza” (L, 169.2).

• A TRINDADE DE DEUS:

Em primeiro lugar, é importante destacar o que não se quer dizer pelo conceito cristão de Trindade. Não significa que haja três deuses (triteísmo), e não significa que Deus tem três modos de um e o mesmo ser (modalismo). O triteísmo nega a simplicidade absoluta de Deus, e o modalismo nega a pluralidade de pessoas em Deus. O primeiro afirma que há três seres na divindade, e o último afirma que não há três pessoas em Deus. O que, então, quer dizer a palavra trindade? Quer dizer que Deus é uma triunidade: Ele é um a pluralidade dentro da unidade. Deus tem uma pluralidade de pessoas e uma unidade de essência; Deus é três pessoas em um a natureza. Há apenas um “Quê” (essência) em Deus, mas há três “Quens” (pessoas) dentro desse um Quê. Deus tem três “eus” nesse um “ele” — há três Sujeitos em um Objeto.

• A BASE BÍBLICA PARA A TRINDADE:

A doutrina da Trindade se baseia em dois ensinos bíblicos básicos:

(1) Há um e somente um Deus.
(2) Há três Pessoas distintas que são Deus: O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Três Pessoas Diferentes são Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo:

Além de afirmar que Deus é um em natureza ou essência, as Escrituras afirmam que há três pessoas distintas que são Deus. Todos são chamados Deus, e todos têm as características essenciais de uma pessoa. Tradicionalmente, entendemos que personalidade é alguém que tem intelecto, sentimentos e vontade. Na Bíblia, todas estas três características são atribuídas a todos os três membros da Trindade (ver mais adiante). Essencialmente, a personalidade se refere a um “eu”, um “quem ” ou um sujeito. Cada “eu” na Trindade possui (por conta da sua natureza com um) o poder de pensar, sentir e escolher. A Personalidade em si é o seu Estado de Eu ou Estado de Quem.

1. O Pai É Deus:

Numerosos versículos falam de Deus como sendo Pai. Estes são alguns exemplos. Jesus disse: “Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, o selou” (Jo 6.27). Paulo acrescentou: “A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (R m 1.7). E: “Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos)” (Cl 1.1).

2. O Filho É Deus:

Cristo é Deus, fato que é afirmado em muitas passagens e de muitas formas, direta e indiretamente. Muitas estão resumidas aqui.

– Jesus Afirmou Ser Jeová:

Jeová (YHWH) é o nome especial dado por Deus para si mesmo no Antigo Testamento. É o nome revelado a Moisés em Êxodo 3.14, quando Deus disse: “EU SOU O QUE SOU”. Outros títulos de Deus podem ser usados em referência aos homens (adonai [“senhor”] em Gênesis 18.12) ou falsos deuses (elohim [“deuses”] em Deuteronômio 6.14), mas só Jeová é usado para referir-se ao Deus verdadeiro. Nenhuma outra pessoa ou coisa era para ser adorado ou servido (Êx 20.5), e o seu nome e glória não seriam dados a outrem. Isaías escreveu: “Assim diz o Senhor: […] Eu sou o primeiro e eu sou o último, e fora de mim não há Deus” (Is 44.6), e: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura” (Is 42.8).

Jesus orou: “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” ( Jo 17.5; esta é uma declaração óbvia a favor da deidade de Cristo, pois Jeová, no Antigo Testamento, disse: “A minha glória, pois, a outrem não darei” [Is 42.8]). Jesus também declarou: “Não temas; eu sou o Primeiro e o Último” (Ap 1.17), exatamente as palavras usadas por Jeová em Isaías 44.6. Ele disse: “Eu sou o bom Pastor” (Jo 10.11), e o Antigo Testamento afirma: “Iahweh [Jeová] é meu pastor” (SI 23.1, BJ). Além disso, Jesus afirmou ser o juiz de todos os homens (Jo 5.27ss.; Mt 25.31ss.), e Joel cita Jeová que disse: “Ali me assentarei, para julgar todas as nações em redor” (Jl 3.12). Semelhantemente, Jesus referiu-se a si como o “noivo” (Mt 25.1, ARA), ao mesmo tempo em que o Antigo Testamento identifica Jeová deste modo (Is 62.5; Os 2.16). Enquanto o salmista declara: “Iahweh [Jeová] é minha luz” (SI 27.1, BJ), Jesus diz: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12).

Talvez a declaração mais forte que Jesus fez acerca de ser Jeová está em João 8.58, onde Ele diz:’“[…] antes que Abraão existisse, eu sou”. São dizeres que afirmam não só a existência antes de Abraão, mas também a igualdade ao “EU SOU” de Êxodo 3.14. Os judeus que ouviram estas palavras entenderam claramente o significado do enunciado e apanharam pedras para matá-lo por ter, sob a ótica deles, blasfemado (cf. Jo 10.31-33). A mesma afirmação também é feita em Marcos 14.62 e João 18.5,6.

– Jesus Afirmou Ser Igual a Deus:

Jesus professou a deidade de outras maneiras, uma das quais foi reivindicar para si as prerrogativas de Deus. Ele disse ao paralítico: “Filho, perdoados estão os teus pecados” (Mc 2.5ss.). Os escribas responderam adequadamente: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” Portanto, para provar que a sua declaração não era uma ostentação vazia, Ele curou o homem , oferecendo prova concreta de que o que ele dissera sobre perdoar pecados também era verdade.

Outra prerrogativa que Jesus afirmou, pertinente unicamente a Deus, era o poder de ressuscitar e julgar os mortos: “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (Jo 5.25,29). Ele dirimiu toda dúvida sobre o que queria dizer, quando acrescentou: “Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo 5.21). O Antigo Testamento ensina claramente que só Deus é o Doador da vida (1 Sm 2.6; Dt 32.39), o Ressuscitador dos mortos (SI 2.7) e o único Juiz (Jl 3.12; Dt 32.36). Jesus ousadamente assumiu para si poderes que só Deus tem.

Jesus também afirmou que seria honrado como Deus. Ele disse: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai, que o enviou” (Jo 5.23). Os judeus que ouviram esta declaração sabiam que ninguém reivindicaria ser igual a Deus deste modo. Por isso, novamente quiseram matá-lo (Jo 5.18).

– Jesus Afirmou Ser o Deus-Messias:

Até o Alcorão reconhece que Jesus era o Messias (Sura 5.17,75). O Antigo Testamento ensina que o Messias seria o próprio Deus. Portanto, quando Jesus reivindicou ser Messias, Ele também estava reivindicando ser Deus. Por exemplo, o profeta chama o Messias de “Deus Forte” (Is 9.6). Escrevendo acerca do Messias, o salmista disse: “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo” (SI 45.6; cf. Hb 1.8). O Salmo 110.1 registra uma conversa entre o Pai e o Filho: “Disse o Senhor ao meu Senhor [adonai]: Assenta-te à minha mão direita”. Em Mateus 22.43,44, Jesus aplicou esta passagem a si mesmo.

Na grande profecia messiânica de Daniel 7, o Filho do Homem é chamado o “ancião de dias” (Dn 7.22), termo usado duas vezes na mesma passagem para aludir a Deus Pai (Dn 7.9,13). Quando estava sendo julgado diante do sumo sacerdote, Jesus também disse que Ele era o Messias. Quando lhe perguntaram : “Es tu o Cristo [cristos, a palavra grega para aludir ao “Messias”], Filho do Deus Bendito? E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu. E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitam os de mais testemunhas? Vós ouvistes a blasfêmia” (Mc 14.61-64). Não havia dúvida de que ao afirmar ser o Messias (ver também Lc 24.27; M t 26.56), Jesus também estava afirmando ser Deus.

– Jesus Afirmou ser Deus quando Aceitou Adoração:

O Antigo Testamento proíbe adorar qualquer ser que não seja Deus (Ex 20.1-5; Dt 5.6-9). O Novo Testamento concorda, mostrando que os homens recusaram adoração (A t 14.13-15), como recusaram os anjos (Ap 22.8,9). Mas em numerosas ocasiões Jesus aceitou adoração, revelando que Ele reivindicou ser Deus. Um leproso o adorou antes de ser curado (M t 8.2), e um chefe religioso ajoelhou-se diante dEle para fazer um pedido (Mt 9.18). Depois de Jesus ter acalmado a tempestade, “aproximaram-se os que estavam no barco e adoraram-no, dizendo: Es verdadeiramente o Filho de Deus” (Mt 14.33). A mulher cananéia (Mt 15.25), a mãe de Tiago e João (Mt 20.20) e o endemoninhado gadareno (Mc 5.6) se curvaram diante de Jesus sem serem repreendidos pelo ato. Um cego disse: “Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou” (Jo 9.38). Tomé viu o Cristo ressurreto e exclamou: “Senhor meu, e Deus meu!” (Jo 20.28). Isto só poderia ser evocado por uma pessoa que se considerasse ser Deus.

– Jesus Afirmou ter Autoridade igual a Deus:

Jesus também pôs as suas palavras no mesm o nível que Deus: “Ouvistes que foi dito aos antigos […] Eu, porém , vos digo” (Mt 5.21,22) é construção repetida inúmeras vezes. “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.18,19). Deus dera os Dez Mandamentos a Moisés, mas Jesus disse: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros” (Jo 13.34). Jesus prometeu: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.18), e mais tarde Jesus disse acerca das suas palavras: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35). Falando dos que o rejeitam , Jesus confirmou: “[…] a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia” (Jo 12.48). Não há dúvida de que Jesus esperava que as suas palavras tivessem autoridade igual às declarações de Deus no Antigo Testamento.

– Jesus Afirmou ser Deus quando Determinou que as Orações fossem feitas em seu Nome:

Jesus não só pediu que as pessoas cressem nEle e obedecessem aos seus mandamentos, mas também lhes pediu que orassem em seu nome: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14.13,14). “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7). Jesus até asseverou: “Ninguém vem ao Pai senão por mim ” (Jo 14.6). Em resposta a isto, os discípulos não só oraram em nome de Jesus (1 Co 5.4), mas também oraram a Cristo (At 7.59). Está bem claro, portanto, que Jesus quis que o seu nome também fosse invocado como Deus em oração.

– Jesus Afirmou ser Deus pelo Uso que Fez das Parábolas:

Na tese de doutorado de Cambridge sobre este tópico, Philip B. Payne observa que:

“[…] das cinquenta e duas parábolas de narrativas registradas de Jesus, vinte o descrevem na imagem que no [Antigo Testamento] se refere tipicamente a Deus. A frequência com que isto ocorre indica que Jesus se descrevia regularmente em imagens que eram particularmente apropriadas para descrever Deus” (Payne, “JICDP”, em TJ, p. 17)

Estas imagens são o Semeador, o Diretor da Colheita, a Rocha, o Pastor, o Noivo, o Pai, o Doador de Perdão, o Dono da Vinha, Deus e muitas mais. Portanto, “Jesus se descreve nestas parábolas como o pastor […] e, deste modo, reivindica implicitamente que é Deus” (ibid., p. 11). Devido a estes muitos modos claros nos quais Jesus reivindicou ser Deus, o observador imparcial deve reconhecer, quer aceite ou não, que Jesus de Nazaré reivindicou ser Deus nos Evangelhos. Quer dizer, Ele afirmou ser idêntico ao Jeová do Antigo Testamento.

3. O Espírito Santo é Deus:

A deidade do Espírito Santo é indicada por:

(1) O Espírito Santo possui os nomes de Deus.
(2) O Espírito Santo tem os atributos de Deus.
(3) O Espírito Santo executa os atos de Deus.
(4) O Espírito Santo se associa com Deus nas bênçãos e fórmulas batismais.

– O Espírito Santo Recebe os Nomes da Deidade:

O Espírito Santo é chamado Deus ou Senhor. “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo […] Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3,4). “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16). “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Co 6.19). “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1 Co 12.4-6). “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17). “Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus” (Hb 9.14).

– O Espírito Santo Possui os Atributos da Deidade:

Atributos de Deus como vida (Rm 8.2), verdade (Jo 16.13), amor (R m 15.30), santidade (Ef 4.30), eternidade (Hb 9.14), onipresença (SI 139.7) e onisciência (1 Co 2.11) são designados ao Espírito.

– O Espírito Santo Executa Atos da Deidade:

Certos atos são associados somente a Deus; Deus Pai e Deus Filho executam tais atos, e o mesmo faz o Espírito Santo. Os atos são, entre outros, o ato da criação (Gn 1.2; Jó 33.4; SI 104.30); os atos da redenção (Is 63.10,11; Ef 4.30; 1 Co 12.13); a realização de milagres pelo seu próprio poder (Gl 3.2-5; Hb 2.4); e a concessão dos dons sobrenaturais (At 2.4; 1 Co 12.4-11).

– O Espírito Santo É associado com Deus nas Orações e Bênçãos:

Numerosas vezes na Bíblia o Espírito Santo é associado com um ou ambos os outros membros da Trindade: “As benignidades do Senhor [Pai] mencionarei […] Em toda a angústia deles foi ele angustiado, e o Anjo da sua presença [o Filho] os salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão, ele os remiu, e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade. Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo” (Is 63.7, 9, 10). Na primeira epístola do apóstolo Pedro 1.2 fala-se da “presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. Na epístola de Judas, o versículo 20, exorta os leitores: “Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo”. A bênção de 2 Coríntios 13.13 contém todos os três membros da divindade: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus [Pai], e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” E a fórmula batismal de Mateus 28.19 contém o Espírito Santo junto com os outros membros da Trindade sob um “nome” [essência]: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

• Todos os Três Membros da Trindade são Pessoas:

Cada membro individual da Trindade é uma pessoa, visto que cada uma é citada como uma pessoa (Eu, Quem ). Cada uma tem todos os elementos ou faculdades básicas da personalidade: mente, vontade e sentimento.

1. O Pai É uma Pessoa:

Além de ser mencionado como pessoa (“ele”), os três elementos da personalidade são atribuídos a Deus Pai. Ele tem o poder do intelecto para saber: “Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas” (Mt 6.32); a faculdade emocional para sentir: “Então, arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração” (Gn 6.6); e o poder da vontade para escolher: “Pai nosso, que estás nos céus […] Seja feita a tua vontade, tanto na terra com o no céu” (Mt 6.9,10). Além disso, características pessoais, como a capacidade de comunicar-se (Mt 11.25) e ensinar (Jo 7.16,17), também são atribuídas ao Pai.

2. O Filho É uma Pessoa:

Além de ser mencionado como pessoa (“ele”), o Filho pode comunicar-se e ensinar (Jo 7.17) como só as pessoas podem fazer. Ademais, ele também tem intelecto: “E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (Jo 2.25); sentimento: “Jesus chorou” (Jo 11.35); e vontade: “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. O pronome pessoal “ele” é constantemente usado acerca do Filho.

3. O Espírito Santo É uma Pessoa:

Na Bíblia, todos os elementos da personalidade são atribuídos ao Espírito Santo. Ele tem mente: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará” (Jo 14.26). Ele tem vontade: “Mas um só é o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11); e tem sentimento: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o Dia da redenção” (Ef 4.30).

Além disso, os pronomes pessoais (“ele” e “seu”) são atribuídos ao Espírito Santo: “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13).

Por fim, as atividades pertinentes a uma pessoa são designadas ao Espírito Santo: Ele procura, sabe, fala, testemunha, revela, convence, ordena, esforça-se, move-se, ajuda, guia, cria, recria, santifica, inspira, intercede, dispõe os assuntos da Igreja e faz milagres (ver Strong, ST, p. 325). Há numerosos versículos bíblicos para apoiar estas atividades (ver Gn 6.3; Lc 12.12; Jo 3.8; 16.7,8; At 8.29; Rm 8.26; 1 Co 2.11; Ef 4.30; 2 Pe 1.21 etc.).

Fonte: NORMAN GEISLER, Teologia Sistemática Vol I.

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