[William Lane Craig] O conceito monstruoso de Deus no Islã

Será que muçulmanos, judeus e cristãos cultuam ao mesmo Deus? O doutor Craig explica as diferenças essenciais entre as concepções islâmica e cristã sobre Deus.

Meu interesse no islam se intensificou com meu estudo da história do argumento cosmológico para um criador pessoal do universo. Comentaristas cristãos antigos da obra de Aristóteles que viviam em Alexandria, Egito, desenvolveram esse argumento em resposta à doutrina de Aristóteles da eternidade do mundo. Buscaram mostrar que o universo teve um começo e foi trazido à existência por um criador transcendente.

Quando o islam varreu o norte da África no século VIII, esse argumento foi adotado na teologia islâmica e aperfeiçoado durante a idade média em alto nível de sofisticação. Pela contribuição de pensadores islâmicos ao argumento, eu o cunhei de argumento cosmológico kalam, sendo esta última palavra o termo árabe para teologia islâmica. Creio que se trata de argumento sólido para a existência de Deus, sendo-me muito útil ao transmitir o evangelho a muçulmanos.

Tendo, assim, grande interesse em teologia islâmica, quando fiz meu doutorado em teologia na Universidade de Munique, na Alemanha, escolhi islam como uma área secundária de especialização. Nunca sonhei à época que poderia um dia se tornar assunto de interesse entre o público geral.

Com os ataques de 11 de setembro, o islam de repente irrompeu na consciência pública do ocidente e sua imagem cresce a cada ano, à medida que o terrorismo islâmico se espalha pelo mundo. Essa maior conscientização sobre o islam provoca interesse nele e me dá a oportunidade de falar sobre semelhanças e contrastes entre o islam e o cristianismo.

A pergunta que guia nossa investigação não é meramente ligada às religiões comparadas; antes, tem a ver com a veracidade do conceito cristão ou muçulmano de Deus. Em nossos dias de relativismo religioso, é incrível como uma pergunta como essa se torna politicamente incorreta. Em tese, todas as religiões são igualmente verdadeiras, certo? Por que, então, tanta agitação?

Bem, a resposta a esta pergunta, ao que me parece, é que o relativismo religioso, que é aceito quase irrefletidamente por muitas pessoas hoje em dia, simplesmente não é verdade. Na realidade, o relativismo religioso é logicamente incoerente e, por isso, não pode ser verdade. Pois as religiões mundiais concebem Deus ou deuses de tantas formas tão contraditórias que não possível que todas sejam verdade. Em particular, o conceito de Deus no islam e no cristianismo é tão diferente que as duas religiões não podem estar certas. O islam e o cristianismo têm doutrinas ou ensinamentos distintos a respeito da pessoa de Deus. Por exemplo, os cristãos acreditam que Deus é tripessoal, que há no único Deus três pessoas às quais chamamos de Pai, Filho e Espírito Santo. Os muçulmanos negam esta doutrina ou ensinamento. Creem que Deus é uma única pessoa. Os dois grupos não podem estar certos ao mesmo tempo. Podem estar errados ao mesmo tempo — talvez os budistas é que estão certos e Deus é impessoal —, mas não podemos estar corretos ao mesmo tempo. Por isso, parte do trabalho de avaliar as afirmações rivais do islam e do cristianismo será analisar seus conceitos divergentes de Deus.

Da mesma forma, na palestra desta manhã eu gostaria, primeiramente, de observar a principal crítica islâmica ao conceito cristão de Deus e, em seguida, examinar criticamente o conceito muçulmano de Deus, tendo em vista a determinação de sua pertinência.

Atentemos, em primeiro lugar, para o conceito cristão de Deus e perguntemos por que os muçulmanos o consideram irrepreensível do ponto de vista racional. Os cristãos creem que Deus é um Ser espiritual onipotente, onisciente, totalmente santo, eterno, que criou o universo. Os muçulmanos concordam com todos esses atributos (ou propriedades) de Deus. Não é de surpreender, uma vez que o islam, historicamente falando, é um ramo da tradição religiosa judaico-cristã. Assim, nossa compreensão de como Deus é se trata, em muitos aspectos, da mesma.

No entanto, a principal objeção apresentada pelo islam contra o conceito cristão de Deus diz respeito à doutrina da trindade. Especificamente, os cristãos acreditam que Jesus Cristo é o Filho de Deus e compartilha da mesma natureza divina de Deus Pai. Os muçulmanos rejeitam essa doutrina porque creem que ela comete o pecado de chirk, isto é, o pecado de associar qualquer coisa a Deus. Como pensam que Deus é incomparável ou sem igual, Ele não pode ter um Filho, conforme afirmam os cristãos. Assim, o Alcorão denuncia como “infiel” ou “blasfemo” qualquer um que sustente que Deus tem um Filho, destinando-o ao fogo do inferno por declaração tão blasfema. O Alcorão afirma:

“São blasfemos aqueles que dizem: ‘Deus é o Messias, filho de Maria…’ A quem atribuir parceiros a Deus, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e sua morada será o fogo infernal! Os iníquos jamais terão socorredores” (5.72).

Lamentavelmente, a denúncia do Alcorão sobre a doutrina da trindade parece se basear num equívoco grosseiro sobre esta doutrina. Primeiro, um pouco de história: credos cristãos antigos adotaram o modo de falar de Maria como “a Mãe de Deus”, porque ela gerou a Jesus Cristo. Ora, para quem não está familiarizado com a teologia dos antigos pais da igreja, é garantido que uma expressão como “a Mãe de Deus” leve a equívocos. O que queriam os pais da igreja é que a pessoa cuja natureza humana Maria gerou é uma pessoa divina. Maria não deu à luz à natureza divina de Cristo; todavia, Maria poderia ser chamada de Mãe de Deus, uma vez que Cristo, cuja natureza humana ela gerou, era uma pessoa divina.

É evidente, porém, que Maomé pensava que os cristãos criam numa trindade composta de Deus Pai, Maria e seu descendente Jesus. Não é nenhuma surpresa que ele considerasse blasfema essa doutrina ridícula! O equívoco de Maomé acerca da trindade fica evidente em passagens como as seguintes, encontradas no Alcorão:

E recordar-te de quando Deus disse: “Ó Jesus, filho de Maria! Foste tu quem disseste aos homens: ‘Tomai a mim e a minha mãe por duas divindades, em vez de Deus?’

Respondeu: ‘Glorificado sejas! É inconcebível que eu tenha dito o que por direito não me corresponde’”. (5.116)

Originador dos céus e da terra! Como poderia ter prole, quando nunca teve esposa, e foi Ele Que criou tudo o que existe…? (6.101)

 

A doutrina que Maomé rejeitava, a saber, que Deus Pai deveria se unir a uma mulher humana para produzir um filho e estes três deveriam, então, ser cultuados como deuses, seria rejeitada por qualquer cristão.

De acordo com a Bíblia, Jesus é chamado Filho de Deus porque não teve pai humano, mas foi concebido miraculosamente por uma virgem. No evangelho de Lucas, o anjo diz a Maria:

“O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso aquele que nascerá será santo e será chamado Filho de Deus” (Lucas 1.35).

Ironicamente, o Alcorão afirma o nascimento virginal de Jesus! No relato alcorânico, o anjo diz:

“Sou tão-somente o mensageiro do teu Senhor, para agraciar-te com um filho imaculado”. Maria responde: “Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou e jamais deixei de ser casta?”. O anjo diz: “Assim será, porque teu Senhor disse: ‘Isso Me é fácil!’ … E foi uma ordem inexorável“ (19.19-21).

Ao que Maria concebe Jesus. Assim, nenhum muçulmano deveria se opor a chamar Jesus de Filho de Deus, no sentido de que foi concebido miraculosamente.

Se a doutrina da trindade não é a caricatura que Maomé corretamente rejeita, o que é, então? É a doutrina de que Deus é tripessoal. Não se trata da afirmação contraditória de que três Deuses são um Deus, nem ainda que três pessoas são uma pessoa. Isto é disparate sem sentido. Antes, trata-se da afirmação de que uma entidade que chamamos Deus compreende três pessoas. É tão lógico quanto dizer que uma figura geométrica que chamamos triângulo é composta de três ângulos. Três ângulos em uma figura; três pessoas em um ser!

Talvez a melhor forma de pensar a esse respeito seja dizer que em Deus existem três centros de autoconsciência. Sou um ser com um único centro de autoconsciência. Deus é um ser com três centros de autoconsciência. Cada uma dessas três pessoas é igual em glória e divindade, mas as chamamos “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”, por causa dos diferentes papéis que desempenham em relação a nós. O Pai é a pessoa que envia o Filho à terra; o Filho é a pessoa que assume a natureza humana e se encarna como Jesus de Nazaré; o Espírito Santo é a pessoa que fica no lugar de Cristo até a volta deste.

Embora essa doutrina pareça estranha aos muçulmanos, uma vez expressa adequadamente, nela não há nada de repreensível do ponto de vista racional. Trata-se de uma doutrina logicamente consistente e parece irrepreensível do ponto de vista racional.

De fato, gostaria de encerrar meu primeiro ponto oferecendo um argumento a favor da plausibilidade de pensar que Deus é uma trindade. Para começar, Deus é, por definição, o maior ser que se pode conceber. Se fosse possível conceber algo maior que Deus, esse algo seria Deus! Todo muçulmano que morre com o grito “Allahu akbar!” em seus lábios concorda com este ponto: Deus é o maior ser que se pode conceber.

Pois bem, tratando-se do maior ser que se pode conceber, Deus deve ser perfeito. Se houvesse qualquer imperfeição em Deus, Ele não seria o maior ser concebível. Ora, um ser perfeito deve ser um ser amoroso. Pois o amor é uma perfeição moral; é melhor que uma pessoa seja amorosa do que desamorosa. Logo, Deus deve ser um ser perfeitamente amoroso.

Ora, é da própria natureza do amor se doar. O amor se volta para outra pessoa, em vez de centrar-se totalmente em si mesmo. Assim, se Deus é perfeitamente amoroso por Sua própria natureza, Ele deve doar-se a si mesmo em amor a outro. Mas quem seria esse outro? Não pode ser nenhuma pessoa criada, uma vez que a criação é resultado do livre-arbítrio divino, e não resultado de Sua natureza. Amar faz parte da própria essência de Deus, mas não faz parte de sua essência criar algo. Deus é necessariamente amoroso, mas não necessariamente criador. Podemos, pois, imaginar um mundo possível em que Deus é perfeitamente amoroso e, no entanto, nenhuma pessoa criada existe. Pessoas criadas não podem ser a explicação suficiente de quem Deus ama. Além disso, a ciência nos diz que pessoas criadas nem sempre existiram. Deus, porém, é eternamente amoroso. Mais uma vez, pessoas criadas por si sós são insuficientes para explicar o fato de que Deus é perfeitamente amoroso. Logo, segue que o outro a quem o amor de Deus necessariamente se dirige deve ser interno ao próprio Deus.

Em outras palavras, Deus não é uma pessoa sozinha e isolada, conforme defende o islam; antes, Deus é uma pluralidade de pessoas, conforme defende a doutrina cristã da trindade. Segundo a visão islâmica, Deus é uma pessoa que não se doa essencialmente em amor ao outro; Ele se concentra essencialmente em Si mesmo. Ele não pode ser, portanto, o ser mais perfeito. Na visão cristã, entretanto, Deus é uma tríade de pessoas em relações de amor eternas e voluntárias. Assim, uma vez que Deus é essencialmente amoroso, a doutrina da trindade é mais plausível do que qualquer doutrina unitária de Deus, como o islam. Por quê? Porque Deus é, por natureza, um Ser perfeito de amor doador e voluntário.

Em resumo ao meu primeiro ponto, portanto, vimos que a rejeição muçulmana clássica do conceito cristão de Deus se baseia num equívoco radical da doutrina da trindade e que, uma vez que esta doutrina é entendida adequadamente, ela não é somente irrepreensível do ponto de vista racional, mas também bastante plausível. Logo, o conceito cristão de Deus é irrepreensível do ponto de vista racional.

Isso nos leva ao meu segundo ponto, de que o conceito muçulmano de Deus é repreensível do ponto de vista racional. Ao afirmar isto, não é minha intenção rebaixar ou atacar alguém pessoalmente. Simplesmente estou dizendo que me parece que o conceito islâmico de Deus tem verdadeiros problemas que o fazem repreensível do ponto de vista racional. Cito aqui apenas uma dessas deficiências, a saber:

O islam tem um conceito moralmente deficiente sobre Deus.

Vimos que muçulmanos e cristãos concordam que Deus por definição é o maior ser que se pode conceber e que, além de ser onipresente, onisciente, onipresente, e assim por diante, o maior ser que se pode conceber deve ser também moralmente perfeito. Isto significa que Deus deve ser um ser amoroso e gracioso. Logo, Deus, enquanto o ser perfeito, deve ser totalmente amoroso.

É exatamente isso que a Bíblia afirma. A Bíblia diz:

Deus é amor… Nisto está o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (1João 4.8, 10).

Ou novamente diz:

Mas Deus prova o seu amor para conosco ao ter Cristo morrido por nós quando ainda éramos pecadores (Romanos 5.8).

Jesus ensinou o amor incondicional de Deus pelos pecadores. Vemos isso em suas parábolas sobre o filho pródigo e a ovelha perdida, na sua prática de ter comunhão à mesa com os imorais e impuros, e em seus ditos como aqueles do Sermão da Montanha. Ele disse, por exemplo:

Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está no céu; porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz chover sobre justos e injustos. Pois, se amardes quem vos ama, … que fazeis de especial? Os gentios também não fazem o mesmo? Sede, pois, perfeitos, assim como perfeito é o vosso Pai celestial (Mateus 5.43-48).

O amor do Pai celestial é imparcial, universal e incondicional.

Que contraste com o Deus do Alcorão! O que vou falar agora é algo que você nunca ouvirá na mídia ou de autoridades públicas, pois não ousam dizê-lo. Não podem correr o risco de alienar centenas de milhões de muçulmanos ao dizer algo crítico do islam. A honestidade, porém, me força a falar francamente e sem rancor que o Deus do Alcorão não é o Deus amoroso revelado por Jesus. De acordo com o Alcorão, Deus não ama pecadores. Este fato é ressaltado repetida e consistentemente como uma batida de tambor nas páginas do Alcorão. Veja só as seguintes passagens:

“Alá não ama os renegadores da fé” (3.32)

“Alá não ama os injustos” (3.57)

“Alá é inimigo dos renegadores da Fé” (2.98)

“Alá não ama quem é presunçoso” (4.36)

“Alá não ama os transgressores” (5.87)

“Alá não ama os entregues aos excessos” (6.141)

“Alá não ama os traidores” (8.58)

“Alá não ama a nenhum ingrato pecador” (2.276)

Repetidamente, o Alcorão declara que Deus não ama aquelas mesmas pessoas de quem a Bíblia diz que Deus amou tanto que enviou seu Filho para morrer por eles!

Pois bem, talvez isso pareça paradoxal à luz do fato de que o Alcorão chama Deus de “al-Rahman al-Rahim” — o Clemente, o Misericordioso — até perceber que, segundo o Alcorão, o que a misericórdia de Deus realmente oferece é que, se você crê em Deus e pratica boas obras, pode-se contar que Deus lhe dê o que você merece, e mais um bônus. Assim, o Alcorão promete:

“Laborai: então, Alá verá vossas obras” (9.105)

“Cada alma receberá o seu merecido” (2.281)

“Os que creem, e fazem as boas obras, e cumprem a oração, e concedem zacate [esmolas], terão seu prêmio junto de seu Senhor” (2.277)

De acordo com o Alcorão, o amor de Deus é, portanto, reservado somente àqueles que o merecem. Diz o seguinte:

“Aos que creem e fazem as boas obras, o Clemente lhes concederá afeto perene” (19.96).

O Alcorão, então, assegura-nos do amor de Deus para os tementes a Deus e praticantes de boas obras, mas ele não tem amor aos pecadores e incrédulos. Assim, no conceito islâmico, Deus não é totalmente amoroso. Seu amor é parcial e tem de ser merecido. O Deus muçulmano somente ama a quem O amou primeiro. Seu amor, pois, não ultrapassa o amor que Jesus disse que até cobradores de impostos e incrédulos exibem.

Ora, você não acha que essa se trata de uma concepção inadequada de Deus? O que você acharia de um pai que dissesse a seus filhos: “Se você ficar à altura de meus padrões e fizer o que digo, só então o amarei”? Alguns de vocês tiveram pais assim, que não os amaram incondicionalmente, e vocês sabem das cicatrizes emocionais que consequentemente carregam. Como o maior ser que se pode conceber, o ser mais perfeito, a fonte de toda bondade e amor, o amor de Deus deve ser incondicional e imparcial. Portanto, o conceito islâmico de Deus me parece moralmente deficiente. Não posso, pois, aceitá-lo racionalmente.

Sem dúvida, essa diferença entre o Pai celestial de Jesus e o Deus de Maomé se mostra da forma mais clara possível na atitude que, segundo o mandamento, devemos ter em relação aos descrentes. Jesus disse que devemos amar os descrentes, assim como o faz Deus, mesmo que sejam nossos inimigos. A atitude e ensinamento de Maomé eram bem diferentes. Logo no início de sua carreira, quando ele mesmo era parte de uma minoria perseguida, Maomé mantinha uma atitude muito positiva em relação a judeus e cristãos, aos quais chamou de “Povo do Livro”, por sua adesão à Bíblia. Cria que, uma vez que os judeus entendessem sua mensagem, de bom grado se converteriam ao islam. No Alcorão, passagens desse período inicial da vida de Maomé são bastante positivas em relação a judeus e cristãos.

Quando, porém, os judeus não se convertiam, mas se opunham a Maomé, ele ficava cada vez mais ressentido com eles. À medida que Maomé adquiriu poder político e militar, o profeta perseguido se transformou no politico implacável. Começou a ordenar que os judeus em Medina, onde se situava sua base de operações, fossem mortos ou desalojados. No ano de 627, após ataque mal-sucedido em Medina por parte do exército árabe de Meca, Maomé prendeu centenas de famílias judias em Medina. Setecentos judeus foram mortos ao fio da espada, e Maomé mandou que suas esposas e filhos fossem vendidos à escravidão.

Maomé percebeu que, a fim de unificar as fragmentadas tribos árabes, era necessária a expansão externa. Voltou, então, seus olhos para Síria e Iraque como alvos naturais. À época, revogou toda proteção aos pagãos. A menos que se submetessem ao islam, deveriam ser eliminados. O nono capítulo do Alcorão advém desse período da vida de Maomé. Declara que, por quarto meses, idólatras pagãos devem ser deixados de lado, sem ser incomodados. Em seguida, aparece esta ordem aterradora:

“E, quando os meses sagrados passarem, matai os idólatras, onde quer que os encontreis, e apanhai-os e sediai-os, e ficai a sua espreita, onde quer que estejam. Então, se se voltam arrependidos e cumprem a oração e concedem zacate [esmolas], deixai-lhes livre o caminho… serão, pois, vossos irmãos na religião” (9.5,11).

Não apenas pagãos, mas até judeus e cristãos, outrora respeitados como o Povo do Livro, agora ficaram sob a interdição de Maomé. A menos que se submetessem, deveriam igualmente ser destruídos. O capítulo 9 continua, ordenando aos muçulmanos o seguinte:

“entre aqueles aos quais fora concedido o Livro, combatei os que não … professam a verdadeira religião; combatei-os até que paguem jizya [imposto], com as próprias mãos, enquanto humilhados“ (9.29).

Este capítulo continua, repreendendo nos termos mais graves qualquer muçulmano que recuse a se apresentar ao combate (9.38-39). Muçulmanos que se recusarem serão destruídos por Deus, quer diretamente ou — sinistramente — nas mãos de muçulmanos fiéis que combatem (9.52).

“Dize (ainda): ‘Esperais que nos aconteça algo’? Só nos ocorrerá uma das duas sublimes coisas (o martírio ou a vitória)” (9.52).

A quem morrer na causa divina é prometido um paraíso de deleites sensuais: jardins verdejantes com correntes de águas, poltronas de seda, vinho abundante e virgens voluptuosas de olhos escuros para seu prazer (9.72 etc).

Essas são as últimas ordens no Alcorão em relação a descrentes. Maomé morreu logo em seguida, em 632, tendo planejado para os ataques futuros em nações vizinhas. Seus sucessores levaram adiante esses ataques. Em 633, os exércitos do islam conquistaram a Pérsia; em 635, caiu Damasco; em 638, sucumbiu Jerusalém; em 640, foi tomado o Egito, e assim por diante, por todo norte da África até à costa do Atlântico.

Nós no ocidente, com nossos valores democráticos liberais, tendemos a pensar que toda religião certamente partilha de nossos valores. Autoridades americanas repetidamente dizem que não deveríamos nos referir aos terroristas como “fundamentalistas islâmicos”, por se tratarem de homicidas e nenhuma das grandes religiões defender o homicídio. Fico me perguntando se essas autoridades já leram o nono capítulo do Alcorão. A bem da verdade, o islam é uma religião que ordena a violência e que, historicamente, propagou-se graças à violência.

Ao contrário do que se repete incansavelmente na mídia, a palavra “islam” não significa “paz”. Tal afirmação é, do ponto de vista linguístico, simplesmente falsa. “Islam” é a palavra árabe para submissão ou rendição. É isso que muçulmanos são convocados a fazer: submeter tudo a Deus. Assim, ao contrário de formas ocidentais de pensar, o islam não é uma igreja. É crucial que entendamos isto. O islam é um modo total de vida: tudo deve estar submetido a Deus — o governo, a economia, os costumes sociais, todos os aspectos da sociedade se submetem a Deus. O islam, portanto, a tudo engloba. A ideia ocidental da separação de igreja e estado é sem sentido no islam. Pois tudo deve estar submetido a Deus.

Isso significa que, na verdade, são os estados árabes supostamente moderados como Egito e Turquia, onde se tem um governo secular distinto da lei islâmica — efetivamente, uma separação de igreja e estado — que agem de forma incompatível com o islam. Adotaram um modelo ocidental de governo, uma separação de igreja e estado, o que é fundamentalmente incompatível com o islam. E é por isso que fundamentalistas islâmicos odeiam esses regimes árabes moderados e querem derrubá-los. Os fundamentalistas entendem com mais precisão a verdadeira natureza do islam.

Obviamente, no entanto, nossas autoridades públicas não ousam dizer algo assim. Precisamos do apoio desses estados árabes moderados, se quisermos que nossa guerra contra o terrorismo tenha êxito. Por isso, muçulmanos moderados são cortejados e tranquilizados. E, assim, temos todas essas declarações revisionistas e politicamente corretas na mídia, dizendo que islam significa paz, que muçulmanos somente combatem em autodefesa, e não agressão, que o islam condena a violência, e assim por diante. Tudo isso é revisionismo politicamente motivado que deturpa o caráter verdadeiro do islam.

Isso não quer dizer que o islam sanciona todas as atrocidades perpetradas por um grupo como o Estado Islâmico. Não conheço nada no Alcorão ou na lei da xaria que sancione a violação de mulheres ou a execução de crianças em nome de Alá. Nem estou dizendo que os muçulmanos são pessoas violentas. Estou discutindo teologia, e não pessoas. Podemos ser gratos que a grande maioria dos muçulmanos não é fundamentalista, mas muçulmanos nominais, cujas vidas são muito melhores do que sua teologia. De fato, talvez conheçam muito pouco de teologia islâmica. Perguntar a um muçulmano nominal o que ensina o islam é bem como perguntar a um católico ou episcopal nominal o que ensina o cristianismo!

Espero, então, que você consiga enxergar o absurdo de afirmar que o Deus de Maomé é o Pai de Jesus Cristo. O Pai de Jesus Cristo ama os pecadores e nos manda amar até mesmo nossos inimigos, sem contar nosso próximo. O Deus de Maomé ama somente quem o ama e é inimigo dos incrédulos. A seus seguidores é ordenado perseguir e matar os incrédulos, a menos e até que se submetam. O Deus do Alcorão é uma calúnia ao Pai celestial proclamado e revelado por Jesus.

Para encerrar, então, vimos, primeiramente, que o conceito cristão de Deus como trindade é irrepreensível do ponto de vista racional e, em segundo lugar, que o conceito muçulmano de Deus é, em contrapartida, repreensível do ponto de vista racional, porque o Deus do islam é moralmente deficiente e, portanto, não se trata do maior ser que se pode conceber. Como exclamou muito bem um teólogo, “graças a Deus por Deus!”.


Fonte: http://www.reasonablefaith.org/portuguese/o-conceito-de-deus-no-islam-e-no-cristianismo#ixzz4p0gm2deD

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